Sobre romances e histórias

Recentemente eu tive um coração partido. Doeu. Eu nem sabia que era possível uma dor sentimental dessa maneira. Tudo culminou em um momento muito conturbado de minha vida. Mas aos poucos vamos reaprendendo a viver, a superar e nos aprontando para novas experiências. E nesse processo eu tive uma ajuda muito inusitada, de uma pessoa que surgiu do nada e agora tem todo o meu bem-querer.

Mas por que abrir coisas pessoais dessa maneira? Já fazia um tempo que queria falar sobre meu processo criativo – que pode ser de dias ou de minutos. E o que melhor a nos inspirar do que o amor? Do que as possibilidades de amar? Do que um coração partido? Do que um coração se refazendo?

O ano passado foi um ano pesado de carga, com muitos ensinamentos. Eu, particularmente, prefiro contar meu ano pelo meu aniversário. Cada dia 09 de abril é o começo de uma nova temporada. A temporada 25 foi movimentada. Mas também me deu os subsídios de começar esse blog, escrever contos que podiam não apenas expressar meus dramas e liberar um pouco das emoções presas, mas também contar história de amigos, conhecidos e outros. Mas eu precisava de um desafio.

O objetivo era transformar toda essa dor, todas as minhas observações de mundo em uma história que me agradasse. Como eu disse em meu texto de introdução – eu sou o meu leitor-alvo. Não escrevo aqui para agradar a terceiros e muitos podem achar as palavras bestas, a história rasa, os personagens sem profundidade. Eu lamento aos que pensam assim, porque cada história é muito especial para mim. Cada conto fala sobre algo muito particular. É um desabafo.

Minha cabeça é diariamente atormentada por 300 milhões de vozes (usando da hipérbole que tanto amo) que falam em simultâneo. Qualquer pessoa que convive comigo sabe que muitas vezes eu mudo de assunto para algo nada a ver, de maneira aparentemente desconexa. A questão é que eu encerro os assuntos em minha cabeça, muitas vezes antevendo possíveis respostas e eu consumo esse assunto inteiramente, e uma das vozes então introduz o seu assunto. Eu tento organizar isso diariamente, mas quando me empolgo, simplesmente não consigo prestar atenção direito a esse pormenor.

Muitas vezes, quando estou tentando racionalizar um problema, essas vozes começam a falar suas possíveis alegorias. Houve contos que surgiram de uma ideia obsessiva, que tomou minha cabeça por dias. Eu precisava pensar em como cada elemento seria representado na história, em qual seria a simbologia de cada item que aparecia. Outros contos foram criados em uma única sentada, quase que regurgitando os sentimentos e pensamentos que me dominavam – como se todas as vozes gritassem algo em uníssono.

Voltando ao coração partido, eu descobri que sou muito melhor escrevendo nesses meus períodos caóticos, de tristeza. Uma playlist dedicada a músicas tristes foi criada. Uma decisão talvez prejudicial, mas um risco criativo. Conexão. Cada palavra é um sentimento gritado. A desilusão e a dor de um coração partido moveram muitas das histórias.

Outras, pelo contrário, foram inspiradas pela esperança, que entrou em minha vida em forma de v. Claro que, aqui, coloco na balança as histórias publicadas e aquelas que ficaram guardadas apenas em meu notebook, e quem sabe se encontrarão outros leitores algum dia? Acho que ainda posso extrair muito aprendizado dessa esperança, que espero renovar e reencontrar em muitos outros momentos.

Tão importante quanto isso é perceber que os contos não são necessariamente sobre amor. Muitos deles, na verdade, são tudo menos isso. Os contos são sobre sentimentos, sobre como nos comportamos diante das situações e em como guardamos demais do mundo. São parte do que guardo do mundo. Mas para esse texto, inaugurando essa sessão Off, eu queria falar especificamente das ideias que surgem do amor – e da dor. Surgem de romances bem ou mal sucedidos, de filmes clichês e de histórias que nos enchem os olhos, e aquecem o coração.

Espero poder compartilhar mais desses pensamentos mais para frente. Até lá!

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