A história de dois corações partidos

Você já parou para pensar na influência que as pessoas fazem em sua vida? Em como, às vezes, um encontro é suficiente para deixar marcar irreversíveis? Outras vezes, os encontros se transformam em dois, três… cem. Até que uma hora chegam ao fim – por razões diversas.

A história que estou para contar começa com dois corações partidos. Cada um deles com uma razão, saindo de um relacionamento que deixou marcar fortes, dolorosas e traumatizantes. Existirá mesmo o amor ou estamos fadados a ter nossos corações destruídos? Essa era a pergunta que um dos jovens fazia a si mesmo. Como saber se é possível encontrar a felicidade se a todo lugar que eu olho só vejo tristeza?

Os dois corações seguiram partidos por algum tempo. Eventualmente, os dias e horas começaram a curá-los aos poucos. Mas nada é tão difícil de se curar como um coração partido. Muitas vezes, quando menos esperamos, descobrimos que ainda sofremos daquele mal enorme e sem remédio. O único remédio que realmente funciona é o tempo. A raiva aprisiona. A mágoa aprisiona. O carinho aprisiona. Não há para onde fugir.

Eventualmente, os dois corações partidos se encontraram e se reconheceram. Foi estranho, inusitado e curioso. Eles pareciam sentir que faltava ao outro um pedaço e, ao invés de buscarem se completar, queriam se curar juntos. E, talvez, curados, pudessem novamente serem entregues aos cuidados de um outro amor.

Os primeiros encontros foram cheios de pudores, palavras e verdades não ditas, pois é preciso que haja mistério para se garantir o interesse crescente e contínuo. E com os recorrentes encontros, começou a surgir uma certa inusitada intimidade, que é inerente a qualquer relacionamento que perdura.

Talvez o dia mais marcante para cada um dos corações foi quando eles sentiram saudades pela primeira vez um do outro. Já havia semanas que não se encontravam, mas o bater foi diferente daquela vez. Um dos corações percebeu que sentia falta do outro. Percebeu que ele já não lhe era mais um coração estranho, ao contrário. A intimidade tinha criado um laço entre os dois corações e eles agora estavam ligados por um sentimento que não entendiam, mas buscavam descobrir juntos.

Os encontros prosseguiram, as conversas se transformaram não mais em flerte, mas em confissões. Declarações. Um “eu te amo” trocado em segredo, quase que temendo dizer as palavras em voz alta. E se alguém ouvisse e quisesse terminar com aquela coisa que crescia no peito dos dois? Era preciso ter cautela, andar um passo de cada vez para ver onde se chegaria com aquele sentimento. Ambos tinham experiências recentes tão vivas que temiam experimentar aquele abismo novamente.

Um dia no parque, sentados na grama, bebendo vinho barato, um dos corações decide se abrir, se arriscar. Já namoravam há algum tempo, já estavam apaixonados. Num impulso, ele pediu o outro em casamento. E o outro aceitou. Ele não tinha realmente certeza se queria, se estava completamente curado, mas sabia que a companhia do outro lhe agradava e que ele estava feliz. Afinal, não era esse o sentido de um relacionamento?

Seguiram. Planejaram a cerimônia, festa e lua de mel.

As semanas se seguiram. O destino interveio. Um dos responsáveis por quebrar um dos corações reapareceu em cena. Ele queria se desculpar, colar os restinhos do coração que ainda estavam faltando. Os dois corações conversaram e decidiram que o casamento não deveria prosseguir. O responsável por partir o coração tinha colado as coisas de forma errada e era preciso consertar isso antes de se amarrar completamente naquele sentimento, com algo tão definitivo como um casamento. O outro coração entendeu, pois também desejava que o responsável por lhe quebrar lhe trouxesse de volta os pedacinhos que ainda faltavam.

Semanas depois, o coração que havia sido deixado entendeu que para ele aquele encontro havia significado uma esperança. E para o outro um exemplo. Ambos tinham aprendido alguma coisa, saído com boas memórias. Talvez se reencontrassem num futuro, talvez não. Estavam agora ligados por um entendimento que poucos, algum dia, compreenderiam. Um havia cativado o outro.

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